16.9.06

São Paulo das ruas



Nas ruas da cidade, alguns são anjos. Outros são santos. Há os que são deuses gregos, cujo Olimpo é uma lanchonete na praça do Patriarca, bem no Centro de São Paulo. Lá, eles trocam por notas uma féria diária de R$ 30 a R$ 50 em moedas, conseguidas ao longo de pelo menos 8 horas de trabalho. Estáticos, contrastam com a correria da cidade. As estátuas vivas de São Paulo são conhecidas. Muitos já ouviram falar delas, muitos as vêem diariamente. O que talvez não saibam é que por trás de anjos, santos ou deuses existem pessoas simples, artistas anônimos e dedicados. Apolo, o mais belo deus grego é, na verdade, o gaúcho Fausto. Hermes, o deus do comércio, é Paulo, de mãe artista. Afrodite, a deusa do amor, é Alessandra, uma estudante de geografia que escreve peças de teatro. Os três falam de seu trabalho e de suas aspirações. Falam também que, algumas vezes, são hostilizados. Seja como for, para eles a rua é o palco. Nela eles vivem seus sonhos.

Por Lúcia Helena de Camargo
Fotos: Paulo Pampolin/Digna Imagem
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